Saturday, September 06, 2014

Cinema de rua

O Cinema, a Sétima Arte é para mim a primeira em preferência. Por meio do cinema já vivenciei histórias, vidas, sentimentos, viajei por insondáveis cantos, encantos e lugares, tanto sozinho (muitas vezes) e também acompanhado.
O cinema é uma porta aberta para etnias complexas, identidades e para se encontrar. O ato de adentrar na sala escura é um agradável ritual que envolve elementos “sacros” como uma pipoca quentinha, uma bebida gelada e expectativa de risos, dentes rangidos, sustos, aventuras e romances. A tela grande, embora cheia de concorrências é ainda um ambiente inigualável, onde muitos romances já iniciaram, onde famílias se divertem e amigos trocam impressões e experiências, é enfim um acontecimento e assim será por muito tempo. 
Me lembro do primeiro filme que assisti no cinema, o brasileiro “Os trapalhões na Serra Pelada” ainda na cidade de Presidente Prudente com 4 anos de idade.
Já em Campo Grande fui cliente assíduo do Cine Campo Grande na rua 15 de novembro o último cinema de rua que a cidade possuía.
O Cine Campo Grande era daqueles cinemas simples e ao mesmo tempo aconchegante, cadeiras vermelhas pequenas e pouca inclinação entre as fileiras, o que, a depender da sorte, envolvia alguma dificuldade de se enxergar a projeção a frente. O som era bom, nada comparado aos diversos canais de áudio que temos hoje nas grandes franquias americanas, mas dava para vivenciar grandes momentos. O pontos altos da minha incursão ao Cine Campo Grande pelo que posso me lembrar é a sessão do filme “A Lista de Schindler” que possuía um insuspeito intervalo para uma ida ao banheiro e renovar o estoque de guloseimas e a exibição em uma pré-estreia na madrugada de quinta para sexta-feira do filme StarWars – Episódio 1, pelo qual inclusive dei várias entrevistas para jornais e programas televisivos.
Certa vez, junto à um amigo, tive a oportunidade de assistir a um filme na sala de projeção, era uma ficção científica com John Travolta chamada "A Reconquista". O espaço era apertado, mas cabia todo o meu encantamento de menino em estar nas “entranhas” deste gigante iluminado, o maquinário antigo que mais parecia uma pequena locomotiva com uma janela no lugar da caldeira, emanava luz junto ao tecido branco e movimentava fotogramas em filme de forma artisticamente artesanal. A cena era digna de um maquinário de relógio como bem demonstrou a bela homenagem feita ao cinema pelo Martin Scorsese no filme Hugo. Tudo ajustado e no seu devido lugar, mas hoje, fora do tempo.
O cinema de rua é mais democrático e mais charmoso, mais acessível do que o pasteurizado cinema de shopping. Por ser um ponto de arte na cidade, poderia ser abraçado pelo poder público e tornar-se um divulgador de obras culturalmente mais relevantes ao invés de se transformarem em igrejas como tem acontecido. Nada contra as igrejas, mas um pouco de cultura também é importante. É com pesar que percebo que os cinemas de rua não existem mais em Campo Grande/MS, assim como em também ocorre em diversas outras cidades brasileiras. Sinais de uma indústria que economicamente anda para frente, mas de uma cultura popular que, senão anda para trás, pelo menos dá passos largos longe do seu povo...


PS. A imagem que ilustra esse texto é do cinema ainda funcionando e iluminado, diferente do abandono atual.

Friday, September 05, 2014

Uma quarta qualquer

Somar uma experiência de vida ao currículo de torcedor, esse era o objetivo básico de ir à Arena Pantanal assistir ao jogo Corinthians e Bragantino pela Copa do Brasil de 2014, jogo de ida. E de fato, assim o foi, uma experiência única, diferente, mas nem por isso, positiva.
Sou corintiano desde que me conheço por gente, influencias familiares, do meu pai e depois dele, do meu irmão mais velho e da minha mãe. Acompanho os campeonatos, mas não havia ainda somado à experiência de torcedor, assistir à um jogo  ao vivo no estádio, junto à massa e que lugar melhor para viver esse momento do que em um “point padrão FIFA?” 
Antes de comentar o fato em si, gostaria de utilizar este parágrafo para dizer o seguinte: tenho 37 anos e não vivi o momento “fiel-sofredor” do torcedor corintiano nos 23 anos sem ganhar título que o clube alvinegro passou, tampouco me identifico com o “bando de loucos” cantado recentemente nas arquibancadas, gosto mais da “democracia corintiana”, um modelo de gestão sem precedentes na história do futebol mundial que deveria ser mais valorizado pela torcida. Nasci na semana em que o Corinthians conquistou o título paulista sobre a Ponte Preta no famoso gol do Basílio que acabou com o jejum de títulos e desde então, tenho vivenciando momentos importantes de glória e ídolos que marcaram a história, de Sócrates e Casagrande, a Neto e Ronaldo. O primeiro título brasileiro, o primeiro título da Copa do Brasil, o primeiro Mundial de Clubes, o CT  requintado e a tão aguardada Libertadores em 2012 sobre o Boca Juniors, seguida pela vitória sobre o Chelsea no Mundial de Clubes da FIFA no Japão.
2012, ano em que o Corinthians, na minha visão, deixou de ser o mesmo time, aquele que era símbolo do sofrimento, de uma gente simples, do terrão, do amadorismo. Virou outra coisa, outra casa, campeão mundial, estádio absurdamente caro, time de patrocínios milionários, de uma torcida elitizada. Para sobreviver, para crescer, evoluir se mostrou inevitável. Mas no que se tornou? E com o que se identifica? Não é mais um time de raça com pedigree de atletas sem renome e que davam o sangue em campo, como Wladimir, Biro-Biro, Tupanzinho e Wilson Mano. É outro clube e no jogo que assisti ao vivo, isso ficou claro. Ganhar ou perder parece uma circunstância de momento para os jogadores  e isso é incômodo, mudou o clube, o futebol ou fui eu que não mudei? Destaque para a torcida sem modos e mal-educada que tornou a bela e organizada Arena Pantanal um estádio qualquer, onde quase nada se vê, nada se escuta e pouco se entende. A presença tardia no estádio só me deu um alívio de ter mantido o encanto da “espada na bainha” por tantos anos, agora que ela saiu, perdeu seu poder, apequenou-se e o próprio torcer ganhou ares de banalidade, talvez, resultado de um time que em poucos anos conquistou tudo o que tanto sonhava e como os que ostentam seus ganhos com soberba, perdeu um traço essencial de inocência e simplicidade, e passou a exibir um brilho falso.

Friday, July 11, 2014

Pior que 7x1 no campo é 10 a zero fora dele.

No dia 14 de maio  eu escrevi que seria oportuno o Brasil levar uma goleada e perder para pensar. De fato, após o ocorrido ainda juntamos os cacos das nossas ideias sobre futebol e exigimos uma grande mudança, mas ao contrario do que pensei, não no panorama geral e sim ainda no futebol. Se a goleada alemã foi histórica dentro das quatro linhas, é ainda muito mais contundente fora delas e é nestes quesitos que deveríamos estar preocupados e buscando caminhos. Com uma população de 81 milhões, menos da metade da brasileira, a Alemanha tem um PIB per capita quatro vezes maior que o do Brasil: US$ 44,9 mil contra US$ 11,3 mil, de acordo com o FMI. A inflação alemã é cinco vezes menor que a nossa. Enquanto a economia brasileira desacelera, devendo crescer apenas 1% em 2014, depois de avançar 2,5% no ano passado, a economia alemã está em curva ascendente. (fonte: em.com.br). Se eles se mostraram muito educados dentro de campo, fora deles então nem se fala. Já temos copas demais e elas pouco nos trouxeram de benefícios reais, a alegria é válida, a tristeza também, mas é hora de despertar para interesses verdadeiros e que nos fará melhores, todos nós. 

Wednesday, March 19, 2014

Clarear


Lavrador de estrelas,
plantador de idílios,
o poeta manobra as palavras
como quem germina sentimentos,
em coração-terra-fértil.

Com as mãos desgastadas da labuta da caneta,
abre o regaço das ideias,
pensamentos novos,
e faz escorrer o rio das
escolhas não feitas.

Em cada enxadada
uma verdade escondida,
Dor sentida
de alegrias não nascidas,
declarações não feitas,
mergulhos não dados,
horizontes não contemplados,
juras de amor não feitas.

Despertando
máquinas humanas,
corações enferrujados.

Transbordando a alma,
Que dos olhos, de dentro
para fora, faz chover

E da pele, de fora para dentro
faz ferver, suando e escorrendo,
pelo coro as gotas salgadas
da mudança.

Calor que desperta, desprende,
até que tudo derreta e se misture,
atos, cores, ideias e atitudes,
fecundando um novo ser, radícula
de gente sorvendo letras caídas
no papel de chão.

E renasce o ser, sem cor,
nem trama, desamarrado do
engenho da vida. Matéria leve,
que voa.  E para quando vai?

Até o velho anoitecer
sobre o novo que clareia.

Então poetar de novo.
Mare que sobe,
Sombra que some,
Rio que corre.








Monday, March 10, 2014

Sempre estou


A vida é feita de escolhas e as escolhas de infinitos possíveis. Em cada curva e a cada ato, um novo “Eu” que surge e muitos outros que deixamos para trás. A consciência destas verdades simples nos permite mais cuidado com o caminho que tomamos a todo instante e com o instante que nos encaminha. Eu nunca sou, eu sempre estou.

Thursday, February 27, 2014

Atos de amor valem a pena?

Eu quero que a gente
Pense, um no outro e
Que a gente possa:
ouvir mais,
sentir mais de olhos fechados,
de corações abertos,
tatear,
explorar cada caminho
como se o outro
fosse um destino,
gente continente,
morar um no outro,
molhar-se um no outro,
vestir-se de amor, de calor,
saber calar,
saber entender,
perdoar,
pacientar quando
o outro ferve,
ferver quando o outro morna,
ser ninho,
ser carinho,
guiar quando a
noite chega,
ser o sol,
ser a lua,
horizonte,
acordar-se por dentro,
celebrar as pequenas coisas,
agradecer, elogiar, compreender, 
não se ater aos problemas,
esquecer, quando lembrar não vale a pena,
não criticar, não condenar,
construir pontes,
tomar mais banhos juntos,
ficar grudado, sem tv,
sem antever, sem celular,
só o mar do silêncio e do toque,
aromas de nós dois,
sem antes, sem depois,
tomar-se do agora,
pois é no eterno agora
que o meu amor se faz
e se refaz para você.

Atos de amor valem a pena?
Doces, salgados, molhados e
verdadeiros, para você,

Sempre valem a pena!

a bola está em jogo

Quantas vezes você já não se deu por vencido? Quantas vezes olhou para si mesmo e achou que não era mais tempo... Na vida, no amor, no trabalho, nas infinitas relações construídas a todo instante? Mas o dia, bem como os problemas, finda. É preciso aceitar os limites, as impossibilidades e lidar, sobretudo com os próprios sentimentos. Ao fazê-lo eu percebo, você perceberá que somos capazes de obras fantásticas, mas que toda caminhada precisa de um primeiro passo e que começar a andar pode gerar quedas, dores, machucados e cicatrizes. Mas o que são cicatrizes além de avisos de que somos vulneráveis e que também nos curamos?


E o que fazer quando cair? Simples, levantar. Não é preciso vencer a ninguém, somente ao que você era ontem. Simples? Muito. Fácil? Também não. Mas acredite, vale a pena! A vida, como o futebol, é uma “caixinha de surpresa” e, em meio ao campeonato, adversários, juízes, metas, substituições, faltas, vitórias e derrotas, a bola está em jogo, do pontapé inicial aos 45 do segundo tempo, a bola está em jogo, coloque-a debaixo do braço, ajeite com carinho e mire na meta... 

Vencer ou perder é do hoje, é do jogo, aprender, aprimorar, formular estratégias, treinar, também. Desconheço um jogador que desista porque é novo ou porque ganha pouco, ele ao contrário, se atira à possibilidade de ser descoberto por um grande time, treina mais forte, se arrisca mais... pense nisso! A vida não está do jeito que você esperava, tudo bem, é assim para 99% das pessoas, mas a bola está em jogo e o tempo que resta é mais do que suficiente, mas seja honesto com a vida e com você.  O que busca? Porque busca? É isso mesmo? Dá para alcançar com o que você tem nas mãos? Você quer a Copa do Mundo, comece por ganhar o campeonato do seu bairro, depois da sua cidade, e então almeje o imponderável. A escada tem degraus e isso, acredite, não é à toa.  Há um grande técnico no comando de todas as jogadas e Ele já te elegeu para titular da sua própria vida. Ele confia e você duvida? Quem pode ser adversário além de você mesmo? 

Vença-se e siga em frente pois a boa está em jogo e a vitória está nos detalhes, sobretudo aqueles que guardamos dentro de cada um de nós.

Thursday, February 13, 2014

O tempo inteiro

O Todo ainda é parte
mas o poeta está vivo,
e a estrela está nas mãos.
Obrigado por me juntar
em tantos inteiros.
Obrigado por ser a peça
que completou o tabuleiro.
Sem tramas,
nem dramas ou tragédias,
só um dia após o outro, cumplicidade.
A felicidade é um estado natural
do meu agora,
é porque a senhora está aqui
a todo instante.
E quanto mais o tempo passa,  
mais ele permanece
quietado num momento que é em si o infinito,
verbos  que moram no agora onde tudo é vida.
Na lembrança do seu sorriso.
Todos os abraços e sabores.
Parece que tem mil anos, mil cores
e muitas vidas,
e parece que foi ontem
e que o próximo beijo
é sempre o primeiro.
Deve ser por isso que a tua lembrança
me desperta,

o tempo inteiro.